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quarta-feira, 7 de março de 2012

Palestina no FST Fórum Social Temático de Porto Alegre - Apartheid de Água na Palestina

Mari Mantovani, da Organização Stop the Wall, Palestina,
Seminário da CUT do FST, em 26/01/2012
Mari Mantovani - Organização Stop the Wall - Palestina


Em um espanhol bastante articulado, Mari Mantovani, da Stop the Wall, trouxe uma denúncia importante para os Ocidentais: a disputa que hoje se dá na Faixa de Gaza e na Palestina é em torno dos reservatórios de água e de quem tem o controle das redes que levam água potável às populações. "Israel vem atacando a Palestina" - relatou.



Lembrou que há cerca de dois meses, houve um ato e uma caminhada nas ruas da Palestina, a qual reunia estudantes e sociedade civil em torno de reivindicações e denúncias de segregação e da violência com que vem seendo tratados.
Na ocasião, um jovem foi brutalmente assassinado com um tiro no rosto, desferido por um soldado israelense, no meio das pessoas em movimento.
Falou que a imprensa mundial não noticia a violência a que são submetidos reiteradamente na região.
Relatou que a água consumida em Israel vem dos territórios ocupados pelos Palestinos e que o rio que antes ia até o Mar Morto, hoje não chega mais até lá. Uma das principais denúncias de Mari foi a de que há leis baixadas para a "Negação da Água" por Israel, como por exemplo a lei que proíbe aos palestinos a abertura de novos poços artesianos.

Os poços artesianos podem ser a única saída para a sobrevivência, tendo em vista que a rede de água potável não atinge a maior parte da população e que a empresa que opera a distribuição cobra taxas mais altas do povo palestino.

Fez duras críticas à empresa estatal israelense que explora a distribuição da água, no seu entender, roubando a água do território do povo palestino, a MEKOROT.

A partir desse relato, lembrou alguns fatos relacionados, denunciando uso desmedido e descontrolado da água, por colonos israelenses, frisando-se que a água é escassa naquela região, mas com uso limitado e extremaente caro no fornecimento aos palestinos.

Relatou que na Guerra de Gaza, em 3 semanas, foram mortos 1400 palestinos e 70 por cento da população da Faixa de Gaza ficou sem água potável.

Contou que os soldados israelitas entraram no território palestino atirando nos reservatórios de água de cada uma das casas, ou seja, mais de 8693 tanques de água foram disparados, a fim de acabar com a resistência dos que restavam.

Na sequencia, disse que os palestinos são obrigados a "comprar a água" e que os valores são bastante altos.

Disse que os tubos de fornecimento de água potável são fechados nas casas dos palestinos, mas permanecem abertos e com livre consumo nas dos israelenses que podem seguir consumindo mais de 300 metros cúbicos por dia, inclusive com uso em piscinas e em casas de luxo, enquanto que, de outra parte, os palestinos não podem sequer utilizar a água no plantio e para o preparo de alimentos.

Lamentou a presença da empresa israelense e a venda dessa "tecnologia" da MEKOROT no Brasil

Mari Mantovani discorreu sobre as ocorrências de venda de "tecnologia" da empresa Mekorot no Brasil, no estado da Bahia e, mais recentemente, no Sul, quando uma comitiva de gaúchos, Secretários municipais do governo de Porto Alegre, seguiu até Israel para conhecer de perto a empresa (veja a notícia). Lamentou que o Brasil considere a empresa apta a vender quaisquer tipos de procedimentos e de tecnologias ligadas ao fornecimento e distribuição de água ao Estado brasileiro, tendo em vista as suas práticas nefastas no seu país de origem.

Fotos: Cristina Lemos

Democracia Real Já! Fórum Social Temático - Porto Alegre

quinta-feira, 1 de março de 2012

Encontro dos Trabalhadores do Judiciário do Cone Sul, Fórum Social Temático em Porto Alegre - Janeiro 2012

A FENAJUFE, uma das entidades que compõem a Coordenadora do Cone Sul realizou, mais uma vez, o evento que tem ocorrido em paralelo aoa Fóruns Sociais Mundiais, em suas várias edições. Desta vez, o Encontro dos Trabalhadores do Judiciário do Cone Sul se deu em Porto Alegre, no Auditório do prédio das Varas Trabalhistas, em 25 de janeiro de 2012, com a presença de trabalhadores dos três países: Brasil, Uruguai e Argentina.

Com a promoção também da Federacion Judicial Argentina -FJA e a Associação dos Funcionários do Judiciário do Uruguai - AFJU, o principal tema do Seminário foi o Assédio Moral no trabalho e as diversas formas de lidar com o problema. Assédio Moral - Autoritarismo e Democratização do Judiciário.

CUT debate Mudanças Climáticas e a Água no Fórum Social Temático 2012

Debate da CUT no FST, no Hotel Everest
Mudanças Climáticas e Mercantilização da Água

Mesa de Abertura no evento capitaneado pela CUT no primeiro dia das mesas do Fórum Social Temático, realizado no Hotel Everest, em Porto Alegre reuniu ativistas, sindicalistas e trabalhadores(as) de diversos pontos do mundo.
Estavam presentes João Felício, Secretário de Relações Internacionais e Carmen Helena Ferreira, Secretária do Meio Ambiente, da CUT Nacional, e da CUT-RS, Loricardo de Oliveira, Secretário de Administração e Finanças e Marcos Todt, Secretário do Meio Ambiente.

As discussões apontam para uma organização mundial de trabalhadores(as) em torno da pauta da RIO + 20, evento que reunirá novamente os líderes mundiais para apresentarem o que se passou após as decisões tomadas pelos países para a contenção da emissão de gases na atmosfera e em relação aos créditos de carbono, na RIO 1992, no Brasil e em (Protocolo de) Kyoto, no Japão.

A secretária da CUT, a paraense Carmen, lembrou que os múltiplos compromissos assumidos pelos países participantes da RIO 1992 e que vêm sendo reafirmados em Conferências como as de Copenhague, Cancún e Durban, estão muito longe de serem cumpridos.
"O Brasil assumiu em Copenhague um compromisso voluntário importante para a redução de emissão de gases. Hoje temos uma lei e um processo para corte de 12 setores na emissão dos gases". Afirmou que há planos nacionais e estaduais para adaptação a essas diretrizes.

Relatou que o documento convocatório para a RIO + 20 que foi enviado à ONU - Organização das Nações Unidas continha mais de 60 (sessenta) páginas e que dessas, permaneceram apenas 19 (dezenove) páginas com muito discurso e poucos compromissos reais a serem propostos no encontro, programado para junho deste ano, na cidade do Rio de Janeiro.

Carmen fez uma pequena análise de manchetes em diferentes jornais do país, noticiando eventos climáticos como as secas na Amazônia nos anos de 2005 e 2010 e, na região Sul, a grande seca dos últimos verões (como em 2011 e 2012), para as quais nunca se aborda qualquer tipo de política pública de prevenção por parte dos sucessivos governos federais.

Reforçou que o papel da Central e de outras entidades é de puxar essa pauta de discussões com os trabalhadores(as) para preparar uma reação do poder público e uma política efetiva de proteção aos moradores de áreas vulneráveis, bem como aos agricultores e a toda a população atingida.

O Falso selo "Verde"

A Secretária do Meio Ambiente da CUT reforçou, ainda, que muito do que acontece nesse campo do meio ambiente vem sendo utilizado de forma moldada pelo marketing das empresas, como por exemplo a chamada "Economia Verde" e os diversos selos de "verde" e de falsa sustentabilidade que vêm sendo distribuídos no mercado de consumo, para os quais não há nenhum controle.

Por fim, abordou o tema do Código Florestal Brasileiro e das diversas disputas que vêm se dando em torno do texto final aprovado pelo Congresso, o qual não reflete as exigências dos movimentos sociais e campesinos no país; abordou o tema da aprovação da PEC do Trabalho Escravo, que precisa ser retomada e da regulamentação da Convenção 151 da OIT, a qual inclui a formalização do respeito à organização sindical e a Negociação Coletiva no setor público.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Fórum Social Temático em Porto Alegre

O Fórum Social Temático teve início com a tradicional Marcha sobre Porto Alegre. Todas as representações de lideranças que vieram discutir melhores formas de viver o mundo se organizam para esta parada. Pela primeira vez, em 10 anos, eu não pude estar presente ao lado dos companheiros e companheiras militantes de diversos matizes. Foi uma experiência diferente, afinal. A chuva impiedosa que caiu sobre os participantes me fez lembrar a caminhada da abertura do Fórum Social Mundial da Amazônia, na cidade de Belém do Pará, em janeiro de 2009.

Lá estávamos eu e a Naiára (Ana Naiára Malavolta, ativista da LBL - Liga Brasileira de Lésbicas) segurando a faixa do movimento feminista e tentando se proteger da chuva mais forte sob as capas e os chapéus, sem conseguir, lógico.

Na nossa frente, naquela oportunidade, seguiam as ritmistas incríveis e organizadas mulheres da MMM - Marcha Mundial das Mulheres.
Abraço, Naiára e abraço mulheres da Marcha!

Estava conosco também lá em Belém, nosso grande amigo Alê, que hoje marcha em defesa de outros, agora no plano espiritual, Salve, Alê!
Na pedalada da manhã, passei pelo Pórtico do FST, que anunciava o evento na cidade
Foto: Michael Schwaderer















Naquela tarde, pude apenas fotografar da janela do local de trabalho a abertura que se fez no céu enquanto passavam os companheiros reunidos, de onde saiu o arco-íris.
Vista da janela da JF na tarde da abertura do FST 2012
A partir da manhã seguinte, porém, fiz o que pude para participar das mesas no primeiro horário e na noite, para poder ver e ouvir mais as ideias daqueles que defendem uma outra ordem mundial, mais plural e mais inclusiva.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Bem perto do céu? É a Borrússia, em Osório

O Mirante do Morro da Borrússia é uma visita imperdível, bem como uma passada na Rampa para voo livre, alguns metros acima, no topo do morro. Na primeira visita pude conferir a belíssima paisagem que se descortina bem diante dos olhos de quem vai até lá. É possível avistar as linhas dos cataventos no Parque Eólico de Osório, várias das Lagoas da região, o movimento de carros da Free Way e do início da BR 101 e muita, muita Mata Atlântica, em toda a sua exuberância.
Há bastante sinalização no entorno e é fácil dirigir até lá. Programe uma visita com a família toda, todos vão ficar agradecidos. Após algumas curvas da pista sinuosa, o Mirante se impõe no Morro da Borrúsia de forma majestosa.
A estrutura oferecida ao turista é elogiável, com estacionamento e banheiros químicos, um posto de informações turísticas e restaurante. A localização e o próprio Mirante valem a visita. Todo em madeira e, com terraço e escadarias, bastante espaço para grupos grandes, se for uma viagem com mais de um carro, ou de um ou vários ônibus, pode abrigar muitas pessoas ao mesmo tempo. Isso me agradou, é excelente para acolher visitantes de fora. Todo turista é exigente e oferecer qualidade no mesmo local do lazer torna o local irresistível. Dessa forma o turista se sente acolhido, como diversas vezes experienciamos no Canadá.
Uma das coisas mais positivas, na minha opinião, foi a ausência de lixo jogado nas laterais da estrada de subidaa e a presença de lixeiras nos pontos de parada, para deter os impulsos dos incautos de jogar suas embalagens e garrafinhas aqui e ali. Fico sempre impressionada ao chegar a uma bela paisagem e aprofundar o contato com a natureza, o que eu não consigo jamais entender é como as pessoas associam uma mata verde e gostosa a uma lixeira, o que, infelizmente, acontece com frequencia em vários pontos turísticos do país.
De quebra, ainda foi possível levar o computador e travar uma boa conversa com a Luíza, que estava no Intercâmbio nos EUA (Salt Lake City-UTAH e Los Angeles-California), via internet. Devido ao fuso horário e à beleza do lugar, a hora marcada para conversar (14:00 h no Brasil, 08:00 h em Los Angeles) chegou e abrimos o Skype para conversar com ela com imagem e som. Foi uma alegria matar a saudade, vendo a copa verde das árvores em um ponto acima delas. Para fechar o dia com chave de ouro, pegamos a BR 101 e fomos pelo novo túnel, por Maquiné até Capão da Canoa, onde almoçamos já no meio da tarde. Na volta, mais uma vez passamos no ponto mais crítico, na minha opinião: ao lado de Mariluz, em direção à Tramandaí, há uma placa que indica "Acampamento Indígena", mas o que se avista da estrada é uma aglomeração sem nenhum conforto, oferecido pelo poder público às tribos indigenas no Sul do Brasil.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Minhas pedaladas estão ganhando mundo!

Exibo aqui, com orgulho, as fotos da nossa divertida ida de Cidreira a Tramandaí nesse dia 07 de fevereiro. Saímos com o nascer do sol e retornamos no início da tarde. Tive o prazer de dividir esses momentos com Vital Barbosa, grande ciclista (http://vitalbarbosa.blogspot.com) e com Michael Schwaderer, nosso amigo da família e de quem sou s sogrinha (hehehe). Luíza, lá de Los Angeles, acompanha via internet nossa alegria, mas sentimos a falta dela. Volte logo, Luka!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Descaso com as Ciclovias de Porto Alegre

Domingo de sol no Lago do Parque da Redenção, com a bike
Foto: Vital Barbosa
Uma aventura interessante é subir na bike aos domingos em Porto Alegre. Há algumas rotas possíveis, que se ampliam pelo trânsito estar bem mais vazio. Na foto a rota tradicional dos Portoalegrenses, o Brique da Redenção e uma boa pedalada pelo Bom Fim. Começamos ao sair para o almoço e utilizamos para a escolha do restaurante um critério muito simples: paramos no que possuísse estacionamento para bicicletas, foi difícil, pois muitos proprietários não acreditam nessa opção. Escolhemos a Microchurrascaria, na esquina da Venâncio Aires e o Colégio Militar. Dali seguimos para a Volta do Gasômetro, Edvaldo Pereira Paiva - fechada para circulação de automóveis no seu trecho inicial aos domingos, mas sem nenhum respeito aos ciclistas na parte posterior, após a avenida Ipiranga. Nem aos pedestres e usuários do Parque Marinha do Brasil. As faixas de segurança foram recapeadas no asfalto e não há sinalização para atravessar a rua, nem nas esquinas do Arroio Dilúvio com a Ipiranga, nem no meio do Parque Marinha. Não há rampas de acesso para ingresso no Parque. Aliás, notícia importante aos portoalegrenses, especialmente para quem passa pouco na região: foi construída uma nova avenida dentro (no meio) do Parque Marinha do Brasil, provavelmente visando à duplicação da Avenida Beira Rio, todavia, não foram construídos nenhum rebaixamento ou rampa em toda a nova rua. Assim, a Prefeitura de Porto Alegre envia um recado aos pedestres, skatistas, ciclistas e pessoas com necessidades especiais, bem como aos pais com carrinhos de bebê, patinetes, patins ou rollers: VIREM-SE! Eu mesma, pedalando diariamente em toda a chamada "Ciclovia" que vai da Volta do Gasômetro até a Curva do Clube Veleiros do Sul, após o Shopping, enviei diversas mensagens via email para o poder público municipal, apontando os problemas e pedindo providências. A resposta da SMAM - que administra os parques e áreas verdes foi que não é da sua competência a colocação de rampas ou faixas de segurança. A resposta da EPTC, me tratando por "senhor" foi que possui uma equipe técnica que aponta as necessidades de mudança e que esta aponta para estudos que possam vir a ser feitos e blá, blá, blá - não respondeu nada sobre a solicitação. Ah, a EPTC informou ainda que eu poderia protocolar uma via em papel da minha solicitação no posto endereço tal - claramente um resposta copiada e colada, padrão, sem apontar prazos, responsáveis, nada. Esse blog denuncia essa situação e recomenda a todos que enviem os emails, telefonem e exijam o atendimento às situações. Para complementar, há uma Secretaria Municipal de Acessibilidade na Capital, a qual eu desconhecia e vi no saite da PMPA. Enviei também a eles os emails. Seguiremos contando das pedaladas na cidade e pelo mundo. Quando se pedala se vê o mundo, se vê o outro e se vê a natureza que nos envolve. Tira o pó da tua bici e vem. Pedala tu também. Blog Jornada Tripla Pedalando por um mundo melhor.

Ôôô DILMA, eu não aguento! É uma vergonha 5 anos sem aumento!

Servidores seguiram dos prédios de Porto Alegre e do interior do Estado para o Ato contra a Política Salarial de reajuste zero aos servidores do governo Dilma. Em greve desde o dia 17 de outubro, os servidores da Justiça Federal, mesmo cansados, não perderam a oportunidade de gritar as reivindicações no Cais do Porto, enquanto a presidenta e as autoridades municipais celebravam a entrega das máquinas retroescavadeiras para os agricultores. A assessoria da presidência veio até a liderança do Sintrajufe, recebeu o documento com o conjunto das reivindicações da categoria,, mas não recebeu os servidores do Judiciário em greve.

Assembleia lotada em 15 de dezembro suspendeu a GREVE

Diante do prédio da Justiça Federal, principal palco das manifestações e dos Atos da categoria do Judiciário Federal em 2011, a assembleia decidiu pôr fim à greve. O movimento iniciado em 17 de outubro e que reunia a Justiça Federal, do Trabalho, Eleitoral e Militar reivindicava a inclusão do PL 6.613/09 no Orçamento Anual da União para 2012 para que pudessem ser pagas as parcelas da revisão salarial aos servidores do Judiciário. Após muita mobilização e Atos que marcaram a maior greve que o Rio Grande do Sul já fez, dentro da Greve Nacional do Judiciário, a categoria decidiu recuar para agregar esforços e retomar a luta em 2012. A greve completaria, na sexta-feira, dia 16, seus 60 dias e nem a Presidenta Dilma Roussef foi poupada, quando veio a Porto Alegre para a entrega formal das máquinas retroescavadeiras para as prefeituras e para os agricultores do interior do Estado, no Cais de Porto Alegre. Os servidores se concentraram na Praça da Alfândega e marcharam até a beira do cais, ao lado do prédio da Fazenda Estadual e lá ficaram por quatro horas, sob muito sol, para se fazerem ouvir. Foi uma trajetória que contou com o empenho dos servidores e servidoras em todo o estado e que o Sintrajufe-RS, mais uma vez, marcou presença em momentos inesquecíveis, com a categoria unificada, mobilizada e na rua. Um dos marcos importantes nas mobilizações, além do grande Ato em frente ao Hotel Plaza São Rafael, no Centro da cidade, até arrancar a audiência com o Ministro César Peluso - que nunca recebe os servidores - foi a conversa com o Ministro Gilmar Mendes, na reunião dos Ministros do STF e do STJ em Porto Alegre, quando do aniversário dos Juizados Especiaia Federais no TRF da 4ª Região.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Projeto de aluguel de bicicletas no Rio de Janeiro - Bike Rio

Bike Rio é um projeto de sustentabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com o banco Itaú e o sistema de bicicletas SAMBA. As bicicletas do Bike Rio estão disponíveis em estações distribuídas em pontos estratégicos da cidade, caracterizando-se com uma solução de meio de transporte de pequeno percurso para facilitar o deslocamento das pessoas nos centros urbanos.

Tivemos a oportunidade de conhecer o sistema de aluguel de bicicletas que está funcionando na cidade do Rio de Janeiro. É uma parceria entre a Prefeitura do Rio e o Banco Itaú.

Apesar de não ter simpatia por nenhum dos dois particularmente, quero contar aqui para vocês o quanto uma decisão de colocar bicicletas de aluguel à disposição da população por uma quantia extremamente baixa pode ser uma atitude política.

Existem vários pontos vitais da cidade do Rio em que foram colocadas em torno de 10 bicicletas para uso popular. Ao contrário do valor cobrado pela loja que vimos no Arpoador, de R$ 70,00 (setenta reais) por um dia de pedaladas, as bikes do sistema Bike Rio custam R$ 5,00 (cinco reais) e ficam disponíveis ao ciclista por 24 horas para uso. No caso de a pessoa querer utilizar a bicicleta por mais dias, existe a opção de aluguel por um mês e custa, vejam bem, R$ 10,00 (dez reais) para uso nos 30 dias.

A maneira inteligente de manter a rotatividade no uso das bikes e não permitir que alguém "se aproprie" da magrela sem compartilhar com os demais é que as bicicletas precisam ser colocadas em algumas das estações a cada 60 minutos, podendo ser retiradas 15 minutos depois. Desta forma simples, sempre há bicicletas nas estações quando se procura e o serviço se encerra após as 23 horas, reabrindo na manhã seguinte.

Nem precisa se levantar a dúvida se os ciclistas aparecem. Eles aparecem - e muito - e vindos de todos os lugares, do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo, como pudemos verificar in loco. A proposta é inovadora no Brasil, todavia já existe em diversos lugares do mundo.

Quando será que Porto Alegre vai se engajar nesta proposta de um mundo com menos automóveis e menos engarrafamentos?

Imaginem Porto Alegre interligada da Zona Sul até a Norte, Leste, Oeste e Centro e daí com as cidades como Viamão, Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, São Leopoldo, Esteio, Sapucaia, Novo Hamburgo, Estância Velha... todas com acesso e rampas, sinalização apropriada e segurança para rodos os ciclistas e usuários das ciclovias.

Como na proposta holandesa: Preparem as ciclovias e os ciclistas virão!

Foto: Vital Barbosa
Citação: Bike Rio

Paixão Antiga

De 2008 para cá, após dar início a uma nova proposta de vida saudável e alguns (muitos) quilos a menos, retornei ao convívio de uma paixão antiga: a bicicleta. No início como uma mera obrigação de mexer o corpo e fazer algum tipo de exercicio físico.
Ultimamente, todavia, ela veio se tornando uma amiga inseparável e começo a pensar na pedalada como atitude política.

E não foi por acaso. Em 25 de fevereiro de 2011 eu assistia calmamente ao jornal na TV como qualquer pacata cidadã. Quase nunca assistimos à programação da TV aberta, pois temos discordâncias extremas de conceito de diversão e de entretenimento com as redes de televisão que operam no nosso país.
Todavia, por uma série de fatores, naquele dia estávamos diante da TV quando foi noticiado o atropelamento intencional de um grupo de ciclistas na Cidade Baixa, em Porto Alegre.

Tratava-se do grupo de ativistas do Massa Crítica e do passeio mensal, que sai toda a última sexta-feira do mês do Largo Zumbi dos Palmares, com concentração a partir das 18 horas.

Para nós tornou-se impossível não se solidarizar com aqueles ciclistas. E, juntos, defender a proposta de transformar a capital gaúcha em um local mais agradável de se viver, de transitar e de se conviver, com mais bicicletas e menos motores.
Tenho dedicado algum tempo a essa atividade, não apenas na Av. Edvaldo Pereira Paiva (Beira Rio) e na Redenção, mas temos tentado expandir por todos os cantos da cidade nossas pedaladas. 

Depois disso, ganhamos a estrada e passamos a carregar as bikes junto, onde quer que vamos, para tentar saborear um pouco mais das cidades pilotando uma magrela.

A foto retrata um desses momentos, na praia de Cidreira, em que dávamos início a uma pedalada em dia de sol.

Foto: Luíza Casagrande
Veja também: Massa Crítica


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Um mundo melhor é possível. Para alguns, ele já existe!


South Harbour de Toronto, local de atrações gratuitas e ao ar livre






















Tivemos a oportunidade de viver uma experiência maravilhosa: viajamos ao Canadá, no Norte da América do Norte. Uma viagem dessa envergadura requer planejamento, paciência, dinheiro e organização. Desde o início de 2011 vínhamos perseguindo esse sonho. Primeiro foi a reorganização de toda a família para a expedição de documentos. Depois, os procedimentos para a solicitação de Visto de ingresso no país, que são chatos e trabalhosos. Juntando o que havia em todos os cofrinhos e porquinhos, nos alavancamos em direção ao sonho. No começo do mês de agosto, saímos do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, rumo a cidade de Toronto, Província de Ontário, na Costa Leste Canadense. A viagem dura cerca de 11 horas, em voo noturno non-stop. Fomos em voo direto, pois as alternativas de companhias aéreas que incluiriam alguma escala nos Estados Unidos da América do Norte tiveram de ser todas descartadas. Qualquer parada, ainda que sem descer da aeronave em aeroportos estadunidenses, requer visto de autorização de entrada no país, o que a gente não tinha. Havia grande expectativa em nós, especialmente em mim, pois há muito ouvia falar no país com a divisão política entre ingleses e franceses e de suas tradições pluriculturais.

Mapa da travessia após algumas horas na tela touch screen individual em cada banco de passageiros da classe econômica da Air Canada, em agosto/2011
O primeiro impacto após o embarque é a forma de organização da empresa aérea e a divisão do avião entre aqueles que podem pagar muito pela passagem e sentam na primeira classe e os demais trezentos passageiros comuns que, como eu e a minha família, sentamos nas poltronas da classe econômica, com espaço bem mais reduzido e sem todas aquelas regalias. O serviço de bordo é prestado por homens e mulheres, extremamente profissionais. Para nossa surpresa, havia mulheres de biotipo comum, algumas com idade acima de 40, 50 anos, atendendo os passageiros, bem como homens, que aqui no Brasil não atenderiam aos padrões estéticos das companhias aéreas nacionais, trabalhando a bordo. Não pudemos reparar na chegada na dimensão gigantesca do Aeroporto de Toronto, o que só fomos perceber na viagem de retorno. Constatamos que há mais de 500 fingers, ou seja, mais de 500 possibilidades de estacionamento de aeronaves para embarque e desembarque com conforto - daquele lado do terminal, com centenas e centenas de esteiras de bagagem. Nossa passagem pelo Canadá se deu no verão, quando há uma energia muito positiva no ar devido ao clima e à preparação das cidades, soterradas todos os anos pela neve, para os meses quentes do meio do ano. Convém aqui destacar o que nos impressionou desde o princípio: a presença do Estado na vida dos canadenses. No Canadá, o Estado controla a bebida, o tabaco e o jogo. Com esse controle, a bebida e o tabaco são bastante caros e há impostos pesados para a aquisição de qualquer quantidade de bebida alcoólica, com restrição expressa de circulação com bebidas em áreas públicas, parques, teatros, etc. O Estado administra os impostos e age de forma direta na vida dos canadenses, devolvendo os impostos com EDUCAÇÃO - ENSINO PÚBLICO E GRATUITO, até a Universidade, SAÚDE: ASSISTÊNCIA MÉDICA PÚBLICA E GRATUITA, e assistência social. Assim, de forma bastante resumida, o Canadá é um país em que existe o welfare state, o Estado responsável pelo bem-estar social, distribuidor de renda e garantidor de saúde, de educação e com a política de proporcionar vida digna e confortável a todos os que necessitem do auxílio do governo. Voltaremos a tratar do Canadá e de promessas de um mundo melhor também no Brasil. Fotos: Cristina Lemos

Carta de Salvador - Encontro Nacional de Diálogos e Convergências entre Agroecologia, Saúde e Justiça Ambiental, Soberania Alimentar, Eonomia Solidária e Feminismo


CARTA DE SALVADOR

Somos 300 cidadãos e cidadãs brasileiras integrados à Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), à Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), à Associação Brasileira de Pós Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), ao Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), ao Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), à Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA), à Rede Alerta contra o Deserto Verde (RADV), à Marcha Mundial de Mulheres e à Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), em reunião na cidade de Salvador-BA, entre os dias 26 a 29 de setembro de 2011, durante o Encontro Nacional de Diálogos e Convergências entre Agroecologia, Saúde e Justiça Ambiental, Soberania Alimentar, Economia Solidária e Feminismo.
Nosso encontro resulta de um longo e fecundo processo de preparação motivado pela identificação e sistematização de casos emblemáticos que expressam as variadas formas de resistência das camadas populares em suas diferentes expressões socioculturais e sua capacidade de gerar propostas alternativas ao modelo de desenvolvimento hegemônico em nosso país. Vindos de todas as regiões do país, esses casos iluminaram nossos debates durante esses três dias e fundamentam a manifestação política que apresentamos nesta carta.

Ao alimentar esse padrão de desenvolvimento, o governo Dilma inviabiliza a justa prioridade que atribuiu ao combate à miséria em nosso país. Tendo como eixo estruturante o crescimento econômico pela via da exportação de commodities, esse padrão gera efeitos perversos que se alastram em cadeia sobre a nossa sociedade. No mundo rural, a expressão mais visível da implantação dessa lógica econômica é a expropriação das populações de seus meios e modos de vida, acentuando os níveis de degradação ambiental, da pobreza e da dependência desse importante segmento da sociedade a políticas sociais compensatórias. Esse modelo que se faz presente desde o início de nossa formação histórica ganhou forte impulso nas últimas décadas com o alinhamento dos seguidos governos aos projetos expansivos do capital internacional. Materialmente, ele se ancora na expansão do agronegócio e em grandes projetos de infraestrutura implantados para favorecer a extração e o escoamento de riquezas naturais para os mercados globais.

Os casos emblemáticos que subsidiaram nossos diálogos demonstram a essência violenta desse modelo que viola o “direito de ficar”, desterritorializando as populações, o que significa subtrair delas a terra de trabalho, o livre acesso aos recursos naturais, suas formas de organização econômica e suas identidades socioculturais. Os movimentos massivos de migração compulsória daí decorrentes estão na raiz de um padrão de distribuição demográfica insustentável e que cada vez mais converte as cidades em polos de concentração da pobreza, ao passo que o mundo rural vai se desenhando como um cenário de ocupação do capital e de seu projeto de uma agricultura sem agricultoras e agricultores.

A progressiva deterioração da saúde coletiva é o indicador mais significativo das contradições de um modelo que alça o Brasil a uma das principais economias mundiais ao mesmo tempo em que depende da manutenção e seguida expansão de políticas de combate à fome e à desnutrição. Constatamos também que esse modelo se estrutura e acentua as desigualdades de gênero, de geração, de raça e etnia.

Nossas análises convergiram para a constatação de que os maiores beneficiários e principais indutores desse modelo são corporações transnacionais do grande capital agroindustrial e financeiro. Apesar de seus crescentes investimentos em marqueting social e verde, essas corporações já não conseguem ocultar suas responsabilidades na produção de uma crise de sustentabilidade planetária que atinge inclusive os países mais desenvolvidos e que se manifesta em desequilíbrios sistêmicos expressos no crescimento do desemprego estrutural, na acentuação da pobreza e da fome, nas mudanças climáticas, na crise energética e na degradação acelerada dos recursos do ambiente.

As experiências mobilizadas pelas redes aqui em diálogo denunciam as raízes perversas desse modelo ao mesmo tempo em que contestam radicalmente as falsas soluções à crise planetária que vêm sendo apregoadas pelos seus agentes promotores e principais beneficiários. Ao se constituírem como expressões locais de resistência, essas experiências apontam também caminhos para a construção de uma sociedade justa, democrática e sustentável.

A multiplicação dessas iniciativas de defesa de territórios, promoção da justiça ambiental e de denúncia dos conflitos socioambientais estão na raiz do recrudescimento da violência no campo que assistimos nos últimos anos. O assassinato de nossos companheiros e companheiras nessas frentes de luta é o mais cruel e doloroso tributo que o agronegócio e outras expressões do capital impõem aos militantes do povo e ao conjunto da sociedade com suas práticas criminosas.

Nossos diálogos procuraram construir convergências em torno de temas que mobilizam as práticas de resistência e de afirmação de alternativas para a sociedade.
Os diálogos sobre reforma agrária, direitos territoriais e justiça ambiental responsabilizaram o Estado face ao quadro de violência com assassinatos, expulsão e deslocamentos compulsórios de populações pela ação dos grandes projetos como as hidrelétricas, expansão das monoculturas e o crescimento da mineração; a incorporação de áreas de produção de agrocombustíveis, reduzindo a produção de alimentos; a pressão sobre as populações que ocupam tradicionalmente áreas de florestas, ribeirinhas e litorâneas, como os mangues, os territórios da pesca artesanal, com a desestruturação de seus meios de vida e ameaça ao acesso à água e à soberania alimentar.

As convergências se voltaram para a reafirmação da centralidade da luta pela terra, pela reforma agrária e pela garantia dos direitos territoriais das populações. O direito à terra está indissociado da valorização das diferentes formas de viver e produzir nos territórios, reconhecendo a contribuição que povos e populações tradicionais oferecem à conservação dos ecossistemas; do reconhecimento dos recursos ambientais como bens coletivos para o presente e o futuro; e os direitos das populações do campo e da cidade a uma proteção ambiental equânime. Convergimos ainda na afirmação de que o direito à terra e os direitos à água, à soberania alimentar e à saúde estão fortemente associados.

Reconhecemos a importância da mobilização em apoio ao Movimento Xingu para sempre - em defesa da vida e do Rio Xingu, considerado como um exemplo emblemático de luta de resistência ao atual modelo de desenvolvimento. Defendemos o fortalecimento da articulação dos atingidos pela empresa Vale e as propostas que combinem a gestão ambiental com a produção agroecológica, a exemplos de experiências inovadoras dos movimentos sociais em assentamentos da Reforma Agrária.
No debate sobre mudanças climáticas, seus impactos, mecanismos de mercado e a agroecologia como alternativa, recusamos que a proposta agroecológica seja apropriada como mecanismo de compensação, seja ele no invisível e inseguro mercado de carbono, seja em REDD, REDD+, REDD++ (redução das emissões por desmatamento e degradação) ou ainda dentro do pagamento de serviços ambientais. A Rio +20 engendra e consolida a chamada “economia verde”, que pode significar uma apropriação, pelo capitalismo, das alternativas construídas pela agricultura familiar e camponesa e pela economia solidária, reduzindo a crise socioambiental a um problema de mercado.

A Agroecologia não é uma simples prestadora de serviços, contratualizada com setor privado. Ela reúne nossas convergências no campo e na cidade, trabalhando com gente como fundamento. É possível financiar a Agroecologia a partir da contaminação, escravidão, racismo e acumulação cada vez maior do capital? É possível fazer um enfrentamento a partir do pagamento de serviços ambientais por contratos privados, parcerias público-privadas?
Ao debater os impactos da expansão dos monocultivos para agrocombustíveis e padrões alternativos de produção e uso de energia no mundo rural, os diálogos apontaram que a energia é estratégica como elemento de poder e autonomia dos povos, mas está diretamente ligada ao modelo (hegemônico e falido) de consumo, produção e distribuição. A produção de agrocombustiveis, baseada na monocultura, na destruição do ambiente, na violação dos direitos e injustiças sociais e ambientais, associa-se ao agronegócio e ameaça a soberania alimentar.

As políticas públicas sistematicamente desvirtuam as propostas calcadas nas experiências populares, colocando as cooperativas e iniciativas da agricultura familiar na lógica da competição de mercado e em patamar desigual em relação às corporações, tal qual ocorre nas áreas de geração de energia elétrica, segurança alimentar, ciência e tecnologia ou mesmo da economia solidaria.

Nas políticas para os agrocombustiveis, a agricultura familiar é inserida como mera fornecedora de matérias primas e o modelo de integração é dominante, mascarando o arrendamento e assalariamento do campesinato e embutindo o pacote tecnológico da revolução verde através das políticas de crédito, assistência técnica e extensão rural. O diálogo do governo com os movimentos sociais se precariza pela setorização e atomização das relações, enquanto a mistura de interesses e operações entre MDA e Petrobrás acaba por legitimar o canal de negociação empresarial no marco de uma política pública.

As experiências de produção descentralizada de energia e alimentos apontam como soluções reais aquelas articuladas por organizações e movimentos sociais que integram as perspectivas da agroecologia, da soberania alimentar e energética, da economia solidária, do feminismo e da justiça social e ambiental, e são baseadas na forte identidade territorial e prévia organização das comunidades.

Estas iniciativas têm em comum a diversificação da produção e dos mercados e a prioridade no uso dos recursos, dos saberes e dos espaços de comercialização locais. Estão sob o controle dos agricultores e têm autonomia frente às empresas e ao Estado. Articulam-se a programas e políticas públicas diversas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), não apenas ao Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Os processos de transformação estão sob o domínio das organizações em toda a cadeia produtiva, e há diversificação da produção de alimentos e de matriz energética e co-produtos, para além e como conseqüência da produção de combustível. As formas de produção estão em rede e têm capacidade de se contrapor aos sistemas convencionais como premissa de sua permanência no território.

Com base nestes princípios e lições, as políticas públicas para a promoção da produção de energia e alimentos devem ter: um marco legal diferenciado para a agricultura familiar; promover a produção e uso diversificado de óleos, seus co-produtos e outras culturas, adequadas à diversidade cultural e biológica regional; atender à demanda de adequação e desenvolvimento de tecnologia e equipamentos apropriados, acompanhada de processos de formação e de redes de inovação nas universidades; além de proporcionar autonomia na distribuição e consumo local de óleos vegetais, biodiesel e álcool.



Os diálogos sobre os agrotóxicos e transgênicos, articulando as visões da justiça ambiental, saúde ambiental e promoção da agroecologia, responsabilizaram o Estado pelas políticas de ocultamento de seus impactos expressas nas dificuldades de acesso aos dados oficiais de consumo de agrotóxicos e de laudos técnicos sobre casos de contaminação; na liberação de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) sem debate democrático com a sociedade e sem atender ao princípio da precaução; na frágil vigilância e fiscalização trabalhista, ambiental e sanitária; na dificuldade do acesso aos laboratórios públicos para análise de amostras de contaminação por transgênicos e por agrotóxicos no ar, água, alimentos e sangue; terminando por promover um modelo de desenvolvimento para o campo que concentra terra, riqueza e renda, com impactos diretos nas populações mais vulneráveis em termos socioambientais.

Há um chamamento para que o Estado se comprometa com a apuração das denúncias e investigação dos crimes, a exemplo do assassinato do líder comunitário José Maria da Chapada do Apodi, no Ceará; com a defesa de pesquisadores criminalizados por visibilizar os impactos dos agrotóxicos e por produzir conhecimentos compartilhados com os movimentos sociais; com políticas públicas que potencializem a transição agroecológica – facilitando o acesso ao crédito, à assistência técnica adequada e que reconheça os conhecimentos e práticas agroecológicas das comunidades camponesas.

Não há possibilidade de convivência entre o modelo do agronegócio e o modelo da agroecologia no mesmo território, porque o desmatamento e as pulverizações de agrotóxicos geram desequilíbrios nos ecossistemas afetando diretamente as unidades agroecológicas. As políticas públicas devem estar atentas aos impactos dos agrotóxicos sobre as mulheres (abortos, leite materno, etc.) pois estas estão expostas de diferentes formas, que vão desde o trabalho nas lavouras até o momento da lavagem da roupa dos que utilizam os agrotóxicos. O uso seguro dos agrotóxicos e transgênicos é um mito e um paradigma que precisa ser desconstruído.

É fundamental a convergência de nossas ações com a Campanha Nacional Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, ampliando os diálogos e convergências com os movimentos sociais do campo e da cidade, agregando novas redes que não estiveram presentes nesse Encontro de Diálogos e Convergências. Temos que denunciar esse modelo do agronegócio para o mundo e buscar superá-lo por meio de políticas públicas que possam inibir o uso de agrotóxicos e transgênicos, a exemplo da proibição da pulverização aérea, ou ainda direcionando os recursos oriundos dos impostos dos agrotóxicos, cuja produção e comercialização é vergonhosamente subsidiada pelo Estado. O fim dos subsídios contribuiria para financiar o SUS e a agroecologia.



Com relação aos direitos dos agricultores, povos e comunidades tradicionais ao livre uso da biodiversidade, constatamos que está em curso, nos territórios, um processo de privatização da terra e da biodiversidade manejada pela produção familiar e camponesa, povos e comunidades tradicionais. Tal privatização é aprofundada pela flexibilização do Código Florestal, que é uma grande ameaça e abre caminhos para um processo brutal de destruição ambiental e apropriação de terra e territórios pelo agronegócio.

A privatização das sementes e mudas, dos conhecimentos tradicionais e dos diversos componentes da biodiversidade vem se dando de forma acelerada, com o Estado cumprindo um papel decisivo na mediação (regulamentação e políticas públicas) dos contratos estabelecidos entre empresas e comunidades, representando sérios riscos aos direitos ao livre uso da biodiversidade.

Causa grande preocupação que as questões nacionais sobre conservação e uso da biodiversidade estejam sendo discutidas e encaminhadas sem a participação efetiva das populações diretamente atingidas, estando sujeitas a agendas internacionais como a Rio +20. Consideramos uma violação a atual forma de “consulta” sobre importantes instrumentos legais e de política concentrada em poucos atores e de questionável representatividade.

Experiências presentes neste encontro demonstram avanços e se fortalecem a partir da legitimidade de suas práticas e aproveitando as brechas existentes na legislação. Este é o caso, por exemplo, dos bancos comunitários de sementes no semiárido; da produção de sementes agroecológicas a partir de variedades de domínio público; da auto-regulação dos conhecimentos tradicionais sobre as plantas medicinais do Cerrado; da constituição de um fundo público das quebradeiras de coco babaçu através da repartição de benefícios que reconhece o conhecimento tradicional associado.

É necessário aprofundar a organização das agricultoras e dos agricultores, extrativistas, povos e comunidades tradicionais em seus territórios, de forma a fortalecer os princípios e ações de cooperativismo e suas interlocuções com as redes regionais, estaduais e nacionais como estratégia de resistência e construção de alternativas. A geração de alternativas econômicas é crucial neste contexto. A apropriação do debate em torno dos direitos pode facilitar e fortalecer o diálogo de nossas redes e movimentos com a sociedade civil de modo geral, de modo a visibilizar a importância dos modos de vida destas comunidades para a garantia de direitos humanos, como o direito à alimentação adequada e saudável.



Nos diálogos sobre Soberania Alimentar e Nutricional, Economia Solidária e Agroecologia, as experiências apontaram o grande acúmulo na construção de alternativas ao atual modelo agroalimentar, que garantam, de forma articulada, a soberania alimentar e nutricional, a emancipação econômica dos trabalhadores e trabalhadoras nos territórios, em especial as mulheres, a promoção da saúde pública e a preservação ambiental. Constatou-se que estas iniciativas contribuem com a construção concreta e material de propostas diferenciadas de desenvolvimento, calcadas nas realidades, cultura e autonomia dos sujeitos dos territórios e orientadas para a justiça socioambiental, a democracia econômica e o direito à alimentação adequada.

Estes acúmulos se expressam através da existência e resistência de dezenas de milhares de empreendimentos e iniciativas de Economia Solidária e Agroecologia, especialmente quando articuladas e organizadas em redes e circuitos de produção, comercialização e consumo, que aproximam produtores e consumidores e fortalecem a economia e cultura locais, num enfrentamento à desterritorialização e desigualdades de gênero, raça e etnia inerentes ao atual padrão hegemônico de produção e distribuição agroalimentar.

Constatou-se que os programas de alimentação escolar (PNAE) e de aquisição de alimentos (PAA), assim como o reconhecimento constitucional do direito à alimentação e a implantação do Sistema e Política de Segurança Alimentar e Nutricional, são conquistas importantes para a agricultura familiar e camponesa. Por outro lado, de forma paradoxal, o Estado tem apoiado fortemente o agronegócio, através da subordinação de sua ação a interesses do capital, e da falta de um horizonte e estratégia definidos de expansão do orçamento do PAA e do PNAE.

As vivências e experiências denunciam também a grande quantidade de barreiras ao acesso das iniciativas e empreendimentos de Economia Solidária e Agroecologia a políticas públicas e ao mercado. Tais barreiras se expressam em uma legislação e inspeção sanitárias e tributárias incompatíveis às realidades das/dos produtoras/es e trabalhadoras/es associadas/os, em especial no processamento e agroindustrialização de polpas, doces e alimentos de origem animal. Estas barreiras, somadas à burocratização na aquisição da Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP) e a uma ofensiva de setores empresariais que têm denunciado à ANVISA empreendimentos produtivos assim que estes começam a se fortalecer, têm impedido o escoamento da produção dentro e fora do município e o acesso ao PAA e ao PNAE. O direito à organização do trabalho e da produção de forma associada só existirá com a conquista de garantias e condições legislativas, tributárias e de financiamento que sejam justas.

Os diálogos apontaram também a luta pelo consumo responsável, solidário e consciente como um campo importante de convergência entre as redes e movimentos e como um desdobramento concreto deste Encontro, através da construção conjunta de um diálogo pedagógico com a sociedade, tanto denunciando os impactos e danos dos alimentos vindos do agronegócio e contaminados com agrotóxicos, o que exige a regulação da publicidade de alimentos, quanto anunciando as alternativas disponíveis na Agroecologia e na Economia Solidária.

Em busca de novos caminhos

Os exercícios de diálogos que estamos realizando há dois anos e os excelentes resultados a que chegamos em nosso encontro reiteram a necessidade de fortalecermos nossas alianças estratégicas e renovarmos nossos métodos de ação convergente. As experiências que ancoraram nossas reflexões deixam claro que os temas que identificam as bandeiras de nossas redes e movimentos integram-se nas lutas do cotidiano que se desenvolvem nos campos e nas cidades contra os mecanismos de expropriação impostos pelo capital e em defesa dos territórios. Evidenciam, assim, a necessidade de intensificarmos e multiplicarmos as práticas de diálogos e convergências desde o âmbito local, onde as disputas territoriais materializam-se na forma de conflitos socioambientais, com impacto na saúde das populações, até níveis regionais, nacionais e internacionais, fundamentais para que as causas estruturais do atual modelo hegemônico sejam transformadas.

A natureza local e diversificada de nossas lutas vem até hoje facilitando as estratégias de sua invisibilização pelos setores hegemônicos e beneficiários do modelo. Esse fato nos indica a necessidade de atuarmos de forma articulada, incorporando formas criativas de denúncia, promovendo a visibilidade dos conflitos e das proposições que emergem das experiências populares.
Uma das linhas estratégicas para a promoção dos diálogos e convergências é a produção e disseminação de conhecimento sobre as trajetórias históricas de disputas territoriais e suas atuais manifestações. Nesse sentido, as alianças com o mundo acadêmico devem ser reforçadas também como parte de uma estratégia de reorientação das instituições do Estado, no sentido destas reforçarem as lutas pela justiça social e ambiental. Estimulamos a elaboração e uso de mapas que expressem as diferentes dimensões das lutas territoriais pelos seus protagonistas como uma estratégia de visibilização e articulação entre nossas redes e movimentos. O Intermapas já é uma expressão material das convergências.

Outra linha estratégica fundamenta-se em nossa afirmação de que a comunicação é um direito das pessoas e dos povos. Reafirmamos a importância, a necessidade e a obrigação de nos comunicarmos para tornar visíveis nossas realidades, nossas pautas e nosso projeto de desenvolvimento para o país. A mudança do marco regulatório da mídia é condição para a democratização dos meios de comunicação. Repudiamos as posturas de criminalização e as formas de representação que a mídia hegemônica adota ao abordar os territórios, modos de vida e lutas. Contestamos a produção da invisibilidade nesses meios de comunicação. O Estado deve se comprometer a financiar nossas mídias, inclusive para que possamos ampliar projetos de formação de comunicadores e de estruturação dos nossos próprios veículos de comunicação. As mídias públicas devem ser veículos para comunicar aprendizados de nossas experiências, proposições e campanhas. Por uma comunicação livre, democrática, comunitária, igualitária, plural e que defenda a vida acima do lucro.

Nossos diálogos convergem também para a necessidade do reconhecimento das mulheres como sujeito político, a importância de sua auto-organização e a centralidade do questionamento da divisão sexual do trabalho que desvaloriza e separa trabalho das mulheres em relação ao dos homens, assim negando a contribuição econômica da atividade doméstica de cuidados e a produção para o autoconsumo. Convergimos na compreensão do sentido crítico do pensamento e ação feministas para ressignificar e ampliar o sentido do trabalho e sua centralidade para a produção do viver.

A apropriação do feminismo como ferramenta política contribuirá para recuperar e visibilizar as experiências, os conhecimentos e as práticas das mulheres na construção da agroecologia, da economia solidária, da justiça ambiental e para garantir sua autonomia econômica.

Mas a história também mostra que o permanente exercício da violência dos homens contra as mulheres é um poderoso instrumento de dominação e controle patriarcal que fere a dignidade das mulheres e impede a conquista de sua autonomia, e as exclui dos espaços de poder e decisão.

A violência contra as mulheres não é agroecológica, não é solidaria, não é sustentável, não é justa. Por isso é fundamental que as redes que estão organizando o Encontro Nacional de Diálogos e Convergências assumam a erradicação da violência contra as mulheres como parte de um novo modelo de produção e consumo, que deve ter como um eixo fundamental a construção de novas relações humanas baseadas na igualdade.

O papel do Estado democrático é o de construir um país de cidadãos e cidadãs, promover e defender a organização da sociedade civil e de estabelecer com ela relações que permitam à sociedade reconhecer nas instituições a expressão do compromisso com o público e com a sustentabilidade. Esse princípio é contraditório com qualquer prática de criminalização dos movimentos e organizações que lutam por direitos civis de acesso soberano aos territórios e seus recursos.

As redes e movimentos promotores deste Encontro saem fortalecidos e têm ampliadas suas capacidades de expressão pública e ação política. Estamos apenas no início de um processo que se desdobrará em ambientes de diálogos e convergências que se organizarão a partir dos territórios, o lugar onde nossas lutas se integram na prática.


Salvador, 29 de setembro de 2011

Para mais informações: http://dialogoseconvergencias.org/
Fonte: MMM

STJ reconhece casamento entre pessoas do mesmo sexo



A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reconheceu que um casal de mulheres também tem direito de casar. Por maioria, nesta terça-feira (25/10), os ministros deram provimento ao Recurso Especial no qual duas mulheres pediam para serem habilitadas ao casamento civil.

O julgamento começou começou na última quinta-feira (20/10), quando quatro ministros votaram a favor do pedido do casal. Marco Buzzi, o último a votar, pediu vista. Ao apresentar seu voto na sessão desta terça-feira (25/10), ele levantou um questão de ordem recomendando que o caso fosse levado a julgamento na 2ª Seção, que reúne os ministros das duas Turmas especializadas em Direito Privado.

Por maioria de votos, a questão de ordem foi rejeitada. No julgamento do mérito, o ministro Buzzi acompanhou o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, dando provimento ao recurso.

“Por consequência, o mesmo raciocínio utilizado, tanto pelo STJ quanto pelo Supremo Tribunal Federal , para conceder aos pares homoafetivos os direitos decorrentes da união estável, deve ser utilizado para lhes franquear a via do casamento civil, mesmo porque é a própria Constituição Federal que determina a facilitação da conversão da união estável em casamento”, concluiu Salomão.

Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os casais homoafetivos. Segundo ele, tolerância e preconceito não se mostram admissíveis no atual estágio do desenvolvimento humano.


Divergência - Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Isabel Gallotti já haviam votado com o relator na sessão do dia 20, quando o julgamento começou. O ministro Raul Araújo, que também acompanhou o relator na sessão da semana passada, mudou de posição. Segundo ele, o caso envolve interpretação da Constituição Federal e, portanto, seria de competência do STF.Para o ministro, o reconhecimento à união homoafetiva dos mesmos efeitos jurídicos da união estável entre homem e mulher, da forma como já decidido pelo STF, não alcança o instituto do casamento. Por isso, ele não conheceu do recurso e ficou vencido.


Raul Araújo chegou a propor – inspirado em sugestão de Marco Buzzi – que o julgamento do recurso fosse transferido para a 2ª Seção do STJ, que reúne as duas Turmas responsáveis pelas matérias de direito privado, como forma de evitar a possibilidade de futuras decisões divergentes sobre o tema no Tribunal.

Segundo o ministro, a questão tem forte impacto na vida íntima de grande número de pessoas e a preocupação com a “segurança jurídica” justificaria a cautela de afetar o caso para a 2ª Seção. A proposta, porém, foi rejeitada por três a dois.


A decisão do tribunal gaúcho afirmou não haver possibilidade jurídica para o pedido, pois só o Poder Legislativo teria competência para insituir o casamento homoafetivo. No recurso especial dirigido ao STJ, elas sustentaram não existir impedimento no ordenamento jurídico para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Afirmaram, também, que deveria ser aplicada ao caso a regra de direito privado segundo a qual é permitido o que não é expressamente proibido.

A advogada especialista em Direito Homoafetivo, Sylvia Maria Mendonça do Amaral, ressalta que a decisão do STJ abre um importante precedente aos casais do mesmo sexo para o casamento civil. "Mais uma vez coube ao Poder Judiciário suprir lacunas deixadas pela inércia do Legislativo. Esta decisão abriu precedente para que outros casais façam o mesmo pedido o que tornará o casamento homoafetivo uma realidade e ao alcance de todos que desejam oficializar sua relação com pessoa do mesmo sexo", afirma.

O recurso foi interposto por duas cidadãs residentes no Rio Grande do Sul, que já vivem em união estável e tiveram o pedido de habilitação para o casamento negado em primeira e segunda instância. A decisão do tribunal gaúcho afirmou não haver possibilidade jurídica para o pedido, pois só o Poder Legislativo teria competência para insituir o casamento homoafetivo. No recurso especial dirigido ao STJ, elas sustentaram não existir impedimento no ordenamento jurídico para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Afirmaram, também, que deveria ser aplicada ao caso a regra de direito privado segundo a qual é permitido o que não é expressamente proibido.

Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 25 de outubro de 2011