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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

VIRGINDADE DE CRIANÇAS ÍNDIAS VALE R$ 20 NO AM


Foto: Frente de Ação Pró-Xingu
No município amazonense de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia, um homem branco compra a virgindade de uma menina indígena com aparelho de celular, R$ 20, peça de roupa de marca e até com uma caixa de bombons.


A pedido das mães das vítimas, a Polícia Civil apura o caso há um ano. No entanto, como nenhum suspeito foi preso até agora, a Polícia Federal entrou na investigação no mês passado.

Doze meninas já prestaram depoimento. Elas relataram aos policiais que foram exploradas sexualmente e indicaram nove homens como os autores do crime.
Entre eles há empresários do comércio local, um ex-vereador, dois militares do Exército e um motorista.
As vítimas são garotas das etnias tariana, uanana, tucano e baré que vivem na periferia de São Gabriel da Cachoeira, que tem 90% da população (cerca de 38 mil pessoas) formada por índios.

Entre as meninas exploradas, há as que foram ameaçadas pelos suspeitos. Algumas foram obrigadas a se mudar para casas de familiares, na esperança de ficarem seguras.

A Folha conversou com cinco dessas meninas e, para cada uma delas, criou iniciais fictícias para dificultar a identificação na cidade.

M., de 12 anos, conta que "vendeu" a virgindade para um ex-vereador. O acerto, afirma a menina, ocorreu por meio de uma prima dela, que também é adolescente. "Ele me levou para o quarto e tirou minha roupa. Foi a primeira vez, fiquei triste."

A menina conta que o homem é casado e tem filhos. "Ele me deu R$ 20 e disse para eu não contar a ninguém."

P., de 14 anos, afirma que esteve duas vezes com um comerciante. "Ele me obrigou. Depois me deu um celular."

Já L., de 12 anos, diz que ela e outras meninas ganharam chocolates, dinheiro e roupas de marca em troca da virgindade. "Na primeira vez fui obrigada, ele me deu R$ 30 e uma caixa com chocolates."

DEZ ANOS

Outra garota, X., de 15 anos, disse que presenciou encontros de sete homens com meninas de até dez anos.

"Eu vi meninas passando aquela situação, ficando com as coxas doloridas. Eles sempre dão dinheiro em troca disso [da virgindade]."
P. aceitou depor na PF porque recebeu ameaças de um dos suspeitos. "Ele falou que, se continuasse denunciando, eu iria junto com ele para a cadeia. Estou com medo, ele fez isso com muitas meninas menores", afirma.

Familiares e conselheiros tutelares que defendem as adolescentes também são ameaçados. "Eles avisaram: se abrirem a boca a gente vai mandar matar", diz a mãe de uma menina de 12 anos.

Fonte: http://frentedeacaopro-xingu.blogspot.com.br/2012/11/virgindade-de-criancas-indias-vale-r-20.html  e publicado na Folha de São Paulo

quinta-feira, 3 de março de 2011

Assalto à mão armada nos pegou de surpresa

Na noite de 24 de janeiro, estávamos chegando em casa após compras no supermercado Bourbon da Ipiranga e estacionamos na rua, defronte a nosso prédio, para descarregar. Nossa filha, adolescente, desceu em primeiro lugar e foi em direção à porta do edifício. Descemos do carro e abrimos a porta e o porta-malas, quando um automóvel parou ao lado do nosso, no meio da rua. Desceram dois jovens, com armas na mão e abordaram meu companheiro. Disseram: "Fica frio que isso é um assalto".
A ação deles não durou mais do que um minuto, muito pouco tempo até que a descarga de adrenalina que a gente recebe numa situação dessas possa fazer efeito.
Em poucos segundos, com ameaças de morte, arrancaram o que ele tinha nas mãos e o forçaram a tirar o chaveiro do carro do bolso, levaram o que puderam e saíram acelerando a camionete FORD ECOSPORT, cor preta, 2.0, ano 2004, XLT, placas ELU 9090.
Era o carro dos nossos sonhos e adquirimos com muito esforço. Para falar a verdade, estamos ainda no início do carnê dos pagamentos.

Os rapazes, de quem não temos raiva, eram os dois que nos abordaram e mais um que dirigia um Clio branco, provavelmente também roubado.

Quanto à descrição dos assaltantes, poderiam ser qualquer um dos nossos filhos, sobrinhos, parentes, amigos. Eram dois homens, entre 20 e 25 anos, de bermudas e camisetas com desenhos de surfistas, limpos, barbeados, ambos brancos, usando tênis de grife e, acho importante salientar: estavam muito calmos e conscientes do que estavam fazendo, não eram amadores e agiram com muita prática.

Para quem acredita na mídia e nos estereótipos que ela prega, podem esquecer. Os guris que nos assaltaram não foram "malandros" extraídos dos filmes como Cidade de Deus ou Tropa de Elite 1 e 2, de forma nenhuma: NÃO eram negros, NÃO usavam correntões em volta do pescoço nem nos pulsos e não estavam agitados ou drogados.

Agradecemos a Deus que não houve violência, pois estavam armados e poderíamos ter vivido um pesadelo ainda maior. Em poucos segundos nossas vidas passaram diante de nossos olhos e o único bem móvel que tínhamos, de maior valor, foi levado.